
Entretanto após muitas confusões que ainda perduram, Mais tarde, Final Fantasy VI foi lançado nos EUA e Europa, mas sob o número III. Emendado este “erro” continuámos sem ver o verdadeiro Final Fantasy III.
Numa altura em que a antiga SquareSoft estava a proceder á realização de ports/remakes dos seus jogos mais antigos, Final Fantasy III viu a sua oportunidade a chegar com a proposta de um remake para a Wonderswan, da Bandai, mas devido a dificuldades técnicas de conversão, o jogo foi sendo atrasado até que acabou por ser cancelado. Até agora era o único que não tinha saído do Japão.
Mas a Square prometeu e cumpriu, o jogo ia de facto receber um remake, todos iriam ter a oportunidade de jogar ou voltar a jogar esta pérola, para sempre relembrada como o último trunfo da NES. Dito e feito, os anos passaram, a Square deixou de ser Soft e passou a ser Enix e a Nintendo DS nasceu. A antiga chama da amizade entre Square e Nintendo voltou a brilhar, a brilhar mais forte que qualquer outra coisa que pudesse existir.
Fora finalmente anunciado em 2006 um remake total de Final Fantasy III para a portátil da Nintendo.
Para o melhor ou pior, o jogo ia receber uma plástica, ia passar para o 3D, a gigante dos RPGs prometeu puxar a consola ao máximo e que iria surpreender, dito e feito, um ano depois o jogo foi lançado no Japão, um ano mais tarde nos EUA e por fim na Europa, há coisa de dois meses.
Agora, irei proceder à análise do jogo em si depois de esta introdução.
Começamos a nossa demanda num continente flutuante e onde vamos encontrar quatro adolescentes órfãos que até então levam as suas vidas normais. Até que chega o fatídico dia em que são invocados por algo misterioso que lhes depõe da tarefa de proteger os cristais, responsáveis pelo equilíbrio do bem e do mal e por fim, salvar o mundo. Um dia normal na vida de um jovem.
Era com esta base que a Square encantava a sua audiência.
De facto não há mais nada a acrescentar na história, percorremos o mundo de um local ao outro a lutar com criaturas mágicas, enquanto procuramos os cristais, para acabarmos com o inimigo. Simples, mas eficaz na altura.
Mas será que hoje em dia, esta receita ainda satisfaz o mais sagaz dos jogadores? A reposta em si é uma contradição, satisfaz e não satisfaz, enquanto que o mais hardcore joga e afaga o seu bicho da nostalgia, o novo jogador pode-se sentir repudiado por esta simplicidade, vem daí que a Square decidiu temperar este jogo. Deu ás personagens principais uma história, uma identidade, algo porque fossem reconhecidas, além que foram acrescentados novos sidequests.
Todo o diálogo foi revisto e partes de história foram completamente remodeladas a ponto de fazer sentido.
Em relação á sua jogabilidade, esta também foi toda revista, mas mantendo o seu carisma que o marcou na altura. Mas aí é que a porca torce o rabo, nunca joguei a versão japonesa para a NES, mas pude jogar esta versão e posso falar.
Uma coisa a apontar que salta logo á vista é a ausência de “save points” no jogo, só podemos guardar no mapa principal, o que num RPG é gravíssimo! Pois quando se está à beira de uma luta, evento, etc, não se pode guardar o seu jogo para se salvaguardar, e voltar a começar. Nem pensar, não existem “save points”, um ponto negativo logo neste jogo.
Tal como qualquer RPG numa portátil o sistema de “quicksave” permite-nos guardar o jogo a qualquer momento, no entanto se desligarmos a consola o jogo reeniciará no ponto em que fizemos "save".
Não é o suficiente Square!
Este jogo não faz uso do ecrã superior, salvo raras excepções em algumas “cutscenes” e no mapa-mundo, onde nos mostra precisamente o mapa, de resto somos brindados com um ecrã preto.
No modo de batalha, as coisas também não são rosas, com um sistema de batalha arcaico as coisas nem sempre correm bem.
Não existe uma barra ATB (Active Time Battle), estando os turnos divididos em 2, ora atacamos nós, ora ataca o inimigo e assim por diante.
O sistema de MP (Magical Points), está como se diz na gíria dos videojogos, “broken”, basicamente não existe MP, o que existe é que para cada nível de magia, que vai do nível um, ao nível oito, há um número que corresponde às vezes que podemos utilizar cada nível de magia, o que acaba por acontecer é que no fim do jogo, aquando das últimas batalhas, todos vão eventualmente acabar por usar as suas magias mais poderosas e quando se acabar as vezes que podemos as usar, ainda nos resta muito MP, mas não, não podemos usar mais, logo, usamos um “ether” inutilmente.
Nas batalhas, nunca lutamos com mais de três inimigos, salvo uma excepção, isto devido às capacidades de processamento da consola, mas para equilibrar, todos os inimigos estão mais fortes.
Mas nem tudo é mau, a estrear completamente neste jogo, temos o sistema Mognet, ou correio, correio este que é transportado pelos nossos amigos Moogle, e quem puder fazer uso do Wi-fi pode trocar cartas e itens com os amigos, se não, podem sempre fazê-lo com os habitantes do jogo e desbloquear novas coisas.
A nível de longevidade, assim que acabarem o jogo, acabou, não há mais nada que fazer, mas para aumentar a longevidade deste jogo, foram incluídos poucos sidequests e o sistema de Mognet, ou correio, permite desbloquear itens, um novo “Job” e uma missão extra.
Graficamente, este jogo está um espanto, com uma introdução de rivalizar, senão mesmo ultrapassar a rival PSP, mas infelizmente é o único vídeo em FMV (Full Motion Vídeo) presente no jogo, os restantes encontram-se com qualidade in-game, o que por sua vez, são muito bons.
Os gráficos em 3D assentam como uma luva a este tipo de jogo nesta consola, envolvem nos na história com uma sinceridade infantil e honesta, porque estes gráficos, apesar de 3D, representam uma era. Apesar de vivermos num tempo em que os jogos são quase realistas, Final Fantasy III, ensina-nos que os jogos devem ser jogos e devem-se parecer como jogos.
A nível musical, podemos contar com remixes e o melhoramento dos clássicos por Nobuo Uematsu, o senhor da música na Square.
Sem mais nada a acrescentar, se procuram um RPG excelente para ter na vossa portátil e viajar para outro mundo num abrir e fechar de olhos, têm ás vossas mãos o melhor que a NDS tem para oferecer, com mais para vir.
8/10 -- Recomendado
Fiquem agora com alguns vídeos.