
Calling all Cars (CaC) é um dos jogos recentemente disponibilizados para a Playstation Store (PSStore). Desde o início de laboração da PSStore que não eram muitos (e ainda não há em número satisfatório em termos qualitativos) os jogos sujeitos a download. Assim, com a chegada de jogos como Super Stardust ou CaC, revitalizou-se o interesse nestes jogos de formato reduzido mas com objecto bastante suculento para além dos factores novidade e multiplayer (os scores mundiais), geralmente acrescentados. Servem sobretudo como interessantes escapes aos jogos volumosos e mais caros sendo assim neste caso, o preço diminuto, um incentivo suplementar.
David Jaffe, o mesmo criador da gloriosa série God of War e Twisted Metal, é quem está por detrás da concepção deste CaC, tendo sido designado colaborador da Incognito Entertainment, a equipa integrada na SCEA Santa Monica que também está a braços com o desenvolvimento de Warhwak para a Playstation 3.
Este foi também o jogo que despoletou o levantamento da ira do próprio Jaffe, que em resposta a algumas reviews pouco abonatórias ao seu jogo, por intermédio de argumentos não convincentes, disse-lhes sem papas na língua: "You can go fuck yourselves", ficando isto consignado no seu próprio blogue. Impor-se-á a questão: assiste razão ao produtor? Vamos com tranquilidade.
CaC é um jogo arcade, baseado num ritmo frenético e altamente colorido, representado por gráficos em cell-shade e cujo desenvolvimento ocorre em cenários distintos, tendo como objecto a caça de gatunos levada a cabo através de persistentes batalhas campais e confrontos de automóveis quase ao jeito de uns micro-machines. Cada área de jogo tem um tema central como a neve numa zona montanhosa, um parque urbano, passagens ferroviárias, perfazendo um total de quatro palcos com possibilidade de desbloquear lá para o final uma zona extra. Os ladrões aparecem constantemente em pontos ao acaso, cabendo aos jogadores, com a escolha de um entre vários veículos de cores e formatos diferentes (desde carros de corrida a bus da escola), perseguir os bandidos, apanhá-los e conduzi-los, com a melhor perícia possível, à prisão já que este é o principal móbil do jogo.


Este processo repete-se constantemente em cada desafio e no final, a tabela de pontuação proclama como vencedor quem mais pontos obteve na perseguição dos riscados a negro. Os pontos são obtidos através de grau variável dado que as prisões têm diferentes acessibilidades: as áreas de mais fácil acesso garantem a pontuação mínima enquanto que entradas mais complexas a exigir saltos conjugados com curvas atribuem mais pontos. Igualmente, a condução dos bandidos a um carro da polícia ou helicópetro (que esporadicamente surgem nos cenários) é premiada com pontos extra.
Com um ângulo de visão reduzido a 3/4 a partir de cima há total controlo sobre o desenvolvimento e progressão do jogo. Os carrinhos são movimentados com facilidade e lutam ferozmente entre si para ficar com o prisioneiro, num ritmo alucinante, com partes do cenário sujeitas a destruição, muitos sons e efeitos, particularmente os resultantes de itens que estão espalhados pela área de jogo, como um íman que atrai o ouro do bandido e assim tira o doce a quem está à beira da prisão, podendo ser também um martelo ou um míssil, tudo articulado num apelativo conjunto de efeitos visuais e sonoros. É uma forma que lembra um pouco os jogos de ruggby ou até os carros de choque nas feiras populares. Tanto mais que neste jogo são quatro os carros que entram em competição pelo top, todos à procura da mesma fruta, residindo aqui muito do mérito deste jogo pois a forma como tudo é acedido e controlável é praticamente perfeita. Podemos estar afastados de um ponto e não sabermos onde está o ladrão, mas há uma seta (situada em cima do carro) que funciona como uma bússula e nos indica a direcção para o capturarmos, sempre na rota da acção e se tivermos um boost pack, o carro quase voa.
Mas é no modo multiplayer que o jogo atinge as proporções mais espantosas. Até 4 jogadores em simultâneo, o ritmo, velocidade e acção são impressionantes, numa disputa constante, incrementada e acesa pela variação das pontuações. Uma série de boas jogadas pode ajudar ao melhor resultado, invertendo as posições constantemente. Já em single player há a possibilidade de disputar cada uma das áreas por si só ou então através de torneio. Neste caso, o acesso ao cenário e competição seguinte só se consegue com o primeiro lugar, nem sempre alcançável com facilidade pois a AI está muito elevada e por vezes estamos a entrar num ponto específico da prisão quando um outro veículo nos tira a fruta mesmo em cima do ponto.


Mas também é verdade que devido à falta de mais áreas e outros power ups, ou até torneios multiplayer nem sempre dará para estar muito tempo à volta do jogo. Mas enquanto perduram as partidas, o ritmo é elevado. Fica a impressão de um jogo que tem um multiplayer mais interessante que o modo a solo e com os amigos da nossa friend list o mais certo é passar por momentos de grande diversão. Os gráficos baseados em cel-shade (tipo Alien Hominid e Viewtiful Joe) contribuem para um clima cartoonesco de comics e séries animadas ao jeito das melhores sobre gangsters dos anos 40 e 50, irmãos metralha incluídos. Tudo com objectos e traços alusivos, passando até pela banda sonora com temas country, lembrando os três duques e perseguições aos bandidos nos filmes cómicos.
CaC é uma das melhores ofertas na PSStore e por oito euros (esperava-se preço nos 5 euros) vai aceder a um escape altamente divertido e frenético num género que andava arredado há algum tempo das consolas. Se o modo single player permite perceber como se desenrola a estrutura do jogo, acumular treino e vencer o torneio, será no modo multiplayer, com os amigos ou outros, que as disputas serão mais acesas e viciantes. Mesmo sendo curto no modo single player, faltando mais um par de cenários além do extra, também não é por aí que ficam aniquiladas as condições para largos momentos de alta diversão num modo multiplayer indispensável e viciante. Está lá tudo para umas boas partidas de competição constante.
Posto isto, percebo o Jeff naquela reacção mais impulsiva ao carácter negativo de algumas reviews. Ele fez novamente um trabalho muito meritório para um jogo que tem sempre as suas limitações decorrentes do formato a que está sujeito, e como pessoa temperamental que é, para além de ostentar no currículo dois belos episódios de God of War para a Playstation 2, entre outros, tem este benefício e possibilidade da contra-crítica. Vivamente recomendado.
8/10