
Muita tinta tem corrido, normal e virtual, acerca da Sony e das suas politicas relativas à Playstation 3. Desde arrogantes a ineptos, a comunidade gamer não tem poupado comentários negativos à companhia que dominou as duas ultimas gerações de hardware. Esta E3 era vista como o ponto crucial para potenciar a onde positiva que começou com a GDC e o Sony Gamer's Day, e embora, tal como as suas duas rivais, a Sony não tenha anunciado novidades bombásticas, também não desapontou. Aqui ficam as impressões ENE3 do evento.
A primeira coisa que se nota é que a face publica da Sony foi completamente lavada e repensada. Jack Trenton, embora visivelmente nervoso devido à falta de hábito de falar perante plateias, é uma presença amigável e agradável. E Kaz Hirai claramente adoptou o seu faux pas "RIIIDGEEEE RAAAACEEER" como uma piada de marca. Phil Harrison é de todos o que se nota estar mais à vontade com as circunstâncias e é o mais próximo que a Sony tem de um Peter Moore ou Reggie. O trio de executivos acabou por se sair bem, ajudados pela novidade de ora apresentarem a conferência ao vivo, ora através do serviço "Home" na PS3, que se mostra cada vez mais evoluído. E um dos pontos altos foi sem duvida quando meteram em palco o famoso Chewbacca para apresentar a edição especial PSP - StarWars.
A Sony apresenta-se como tendo quatro pilares: PS2, PSP, PS3 e PSN (Playstation Network). A primeira foi discutida apenas de passagem, com Trenton a garantir o apoio da plataforma ao longo do próximo ano com vários jogos apontados ao publico casual. Não esquecer que a PS2 se mantêm com vendas que ombreiam com o sucesso da Wii, feito que nenhuma consola de nova geração conseguiu alcançar. Em relação à segunda tivemos aquilo que possivelmente foi a maior novidade da conferência, o anuncio (finalmente) de hardware revisto, uma nova PSP aparentemente idêntica à original, mas 33% mais leve e 19% mais fina, com a possibilidade de transmitir imagem para uma TV de alta-definição -- sem duvida factor que têm o potencial de revitalizar o formato UMD. De seguida entraram os jogos PSP, e não há duvida que a consola está prestes a ter um segundo fôlego. Entre SOCOM, Wipeout Pulse, Syphon Filter, God of War, Silent Hill, Sonic Rivais 2, The Sims 2, Final Fantasy Tactics, Castlevania: Dracula X e muitos outros, é agora patente que a PSP têm a oferta e qualidade para assegurar a sua posição como uma plataforma sólida, mesmo que não chegue aos níveis de popularidade da rival DS.
O grosso do espectáculo, no entanto, centrou-se na PSN e PS3. Dois importantes anúncios foram as parcerias com a NCsoft e a Epic. A primeira alia à PS3, em exclusivo, aquela que é a segunda produtora mais popular de MMOs do mundo do PC, deixando as portas abertas para Aion, Lineage, GuildWars ou até projectos originais. Até à data apenas a Square-Enix foi bem sucedida em transitar um RPG persistente online para as consolas, mas não é difícil ver como Guild Wars se pode adaptar bem ao modelo online da PS3. A segunda é um acordo em várias áreas; por um lado, Unreal Tournament III estará disponível exclusivamente na PS3, temporariamente. Mas o mais importante é que os utilizadores PS3 poderão ter acesso aos mods da comunidade PC, tornando a longevidade do jogo infinita, coisa que a Microsoft proíbe no seu Marketplace. Por outro lado, a Epic trabalhará com a Sony para optimizar o seu Unreal Engine para a PS3, permitindo às dúzias de produtoras que usam esse motor à escala mundial desenvolver jogos com melhor aspecto e maior eficiência e rapidez. Isto é um facto crucial -- lembremos-nos que jogos como Beautiful Katamari ou Fatal Inertia viram as suas versões PS3 canceladas ou atrasadas em virtude de problemas com o Unreal Engine.
Em termos de jogos third-party, para além de UTIII, só mesmo Haze como exclusivo temporário. O line-up third-party é sólido mas continua a ser uma área em que a consola perde para a concorrente Xbox 360. Mas é claro há sempre a jóia da coroa, que neste caso brilhou mais uma vez, com o próprio Hideo Kojima a subir ao palco e a apresentar um excepcional trailer de Metal Gear Solid 4. Mais uma vez foi confirmada, pelo próprio criador, a exclusividade PS3 -- algo que sem duvida está a dar a Kojima muitas dores de cabeça com o resto dos executivos da Konami.
Finalmente chegada a vez de jogos first-party, a Sony não desapontou. Ratchet and Clank, Folklore, Heavenly Sword, Little Big Planet e Uncharted: Drake's Fortune parecem mais belos e fluidos do que nunca. As surpresas foram Infamous, um jogo que promete fazer do jogador um super-herói ou super-vilão, dependendo das suas escolhas -- um Fable dos tempos modernos -- e Gran Turismo 5 Prologue, que irá sair este ano e tem os melhores gráficos vistos até à data num jogo de condução. É claro que, mesmo no fim da conferência, chegou aquilo porque todos esperavam -- o trailer de Killzone 2, e ele não desapontou. Jogado em frente à plateia, os gráficos podiam não estar a par com a target footage mostrada há dois anos, mas estavam brutalmente próximos, sendo este um dos jogos mais belos de toda a E3, e ninguém na sala ficou indiferente.
Foi esta a apresentação da Sony. Anúncios de hardware, de software; anúncios de parcerias importantes, demonstrações da sua tecnologia e a revelação do estado do seu trio de maravilhas -- Metal Gear Solid, Gran Turismo e Killzone. Tudo isto conspirou para que a apresentação da Sony fosse muito bem recebida. As expectativas eram elevadas e a Sony não desapontou, mostrando-se uma companhia revitalizada e ciente dos erros do passado. A guerra pelo mercado está longe de terminar, mas os vencedores já são claros: os jogadores.