
Sonic the Hedgehog é uma personagem que dispensa apresentações. Considerado por muitos como o factor que levou a Megadrive /
Genesis à ribalta no mundo ocidental, o ouriço azul tem desde então estrelado em dezenas de jogos, e tem sido especialmente usado (e muitos dirão, maltratado) desde que a Sega decidiu largar o mercado das consolas e produzir jogos para os antigos adversários. A Microsoft lançou hoje no seu serviço Xbox Live Arcade o primeiro jogo da série, e a ENE3 publica agora a análise em primeira-mão.
O primeiro Sonic é considerado por muitos como o melhor da série, ou ao menos como um dos melhores -- as preferências dos fãs variam entre este, o segundo, ou o Sonic CD -- e não é sem mérito. Numa altura em que o cume do género era o inigualável Mário e a grande maioria dos restantes jogos de plataformas o tentavam imitar, Sonic revelou-se como uma experiência fundamentalmente diferente, menos focada na precisão e conhecimento dos níveis, e mais na velocidade e reflexos. E esta formula ainda hoje se revela atractiva -- agora na sua versão XBLA, o jogo envelheceu muito bem; ainda que a velocidade já não seja tão surpreendente como o foi na sua génese, os gráficos coloridos mantêm-se atractivos, e o design dos níveis, com vários segredos e rotas alternativas para descobrir, é prova de como bom design pode tornar um videojogo intemporal.

Mesmo sendo o mais difícil dos Sonic clássicos, este não é um jogo de longa duração; é generoso com as vidas extra e continues, e a sua curta duração na altura não punha em perigo a longevidade, em virtude de não haver passwords ou opção para gravar o jogo. Assim, o facto dessa opção existir agora prejudica tanto quanto beneficia o jogo; se por um lado torna-o um jogo muito mais amigável por não forçar o jogador a terminá-lo de uma assentada, também acaba por fazer com que se torne muito mais fácil do que foi originalmente planeado. Para além de retirar grande parte do mérito dos famosos achievements, que com esta função se tornam mais uma questão de paciência do que de habilidade.

Assim, Sonic the Hedgehog para o XBLA revela-se como uma das melhores re-edições do clássico; uma conversão fiel ao original em todos os aspectos, com os bónus de um modo visual "suavizado" (opcional), achievements, leaderboards mundiais e possibilidade de gravar o jogo. Não desagradará muito aos puristas, visto que podem jogá-lo como foi originalmente planeado, e é mais acessível às gerações mais novas de jogadores. No entanto corre o risco de ser uma experiência curta, e embora 400 pontos (mais ou menos 5€) seja um preço muito justo, também é preciso considerar que o jogo já foi re-editado várias vezes em compilações que, por 30€, trazem muitos mais clássicos.
Não havendo duvida que a mais recente oferta na XBLA é uma conversão de qualidade de um clássico, cabe ao jogador decidir se aquilo que ela oferece justifica a aquisição de um jogo que pode ser encontrado em compilações relativamente baratas e em conjunto com outros clássicos.
7/10 -- Recomendado