
Há sensivelmente um ano, o mercado das consolas portáteis entrou em novas andanças. No Japão ultimavam-se os preparativos para a estreia da NDS, enquanto que do lado da rival Sony múltiplos vídeos sugeriam uma consola com imensas virtudes técnicas, aliadas a todo um conjunto de possibilidades como visualização de filmes, fotografias, música. A nota distintiva entre as duas portáteis era essencialmente a capacidade gráfica, pois se por um lado a Nintendo apostava na experiência original e inovadora de jogo em detrimento do aspecto visual dos jogos, a Sony parecia manter-se fiel ao incremento do grafismo para uma consola portátil, bem como garantir um piscar de olhos ao mainstream por todas as outras potencialidades.
Porém, e tendo em conta todo este lapso de tempo, que juízo é possível atingir tendo em conta os objectivos a que ambas as produtoras se haviam proposto. Estará a Nintendo com a batalha perdida para a PSP como muitos previam há um ano? Estarão os jogos da NDS a potencializar a inovadora experiência de jogo que o duplo ecrã táctil deixava antever? São os jogos da PSP tão atractivos graficamente?
Convém ter em conta que apenas um ano passou desde o lançamento da NDS, e por isso ainda é cedo para tirar conclusões definitivas e totalmente esclarecedoras embora seja já possível comentar o actual estado do mercado das portáteis no que respeita às principais consolas; a DS e a PSP. Considere-se ainda que as conjecturas tendem a alterar-se ocasionalmente muito por força de determinados lançamentos, bem capazes de provocarem mexidas significativas no número de vendas de uma consola. Mesmo assim já se pode tirar com clareza um retrato das posições de ambas as portáteis nos três sectores primordiais do planeta; Europa, América e Japão.
Na Ásia a NDS lidera confortavelmente o mercado com mais de um milhão de consolas vendidas que a sua rival impondo-se categoricamente, neste momento, sobre a Playstation 2. Uma das múltilplas razões que poderá aduzir este avanço é nitidamente Nintendogs. Na fase anterior ao seu lançamento era já visível uma grande euforia. Domesticar pequenos quadrúpedes de várias raças através da stylus tornou-se praticamente uma moda que até já se estende pela Europa, através do recente anúncio que dilata para um milhão o número de cópias vendidas na Europa. Mas outros jogos como Jump Super Stars incrementam a cada semana a portátil da Nintendo na liderança.
Na verdade, a Nintendo está a cumprir o objectivo a que se candidatou. Todos os meses são colocados no mercado jogos novos que garantem experiências gratificantes e genuínas, fazendo uso do duplo ecrã de forma necessária e útil como Phoenix Wright: Ace Attourney ou ainda Trauma Center Under the Knife.
A NDS também já provou que é capaz de recuperar o estilo 2D através de jogos como Castlevania: Dawn of Sorrows, o renovado Sonic Rush e porque não Viewtiful Joe Double Trouble. Se a este cartaz adicionarmos a recente obra Mario Kart DS é de esperar a continuação de uma linha ascendente nas vendas da DS. Na Europa o cenário é equilibrado entre as duas portáteis. Recentes dados apontavam para um equilíbrio acima do milhão de unidades que é de esperar, se mantenha até ao período natalício e mesmo para além dele.
Por sua vez, a PSP apostou num lançamento a roçar o mediano. Tendo Ridge Racer como principal aposta para demonstrar as capacidades da máquina, até porque o jogo revela uma fluidez gráfica muito interessante, seguindo aquele patamar que muitos jogadores esperavam obter, a parte preocupante é que escassearam os títulos originais, exceptuando Lumines, provavelmente o melhor jogo de lançamento da PSP na Europa.
Embora Wipeout Pure seja atraente esteticamente e Metal Gear Solid Acid radique numa exposição táctica bem conseguida, mas sem apelo ao melhor de Kojima, vai preocupando o número excessivo de algumas conversões e spin ups de jogos específicos da PS2 que servem até para sustentar a dúvida quanto à sustentabilidade da PSP que no que se refere a jogos criados de raiz.
Ainda assim alguns ports como Grand Theft Auto: Liberty City Stories ou Pro Evolution Soccer 5 ilustram perfeitamente que a PSP tem capacidade para garantir uma experiência de jogo portátil muito próxima da suportada na PS2. Nesse aspecto é de esperar que GTA empurre um pouco mais as vendas da portátil da Sony se possível inverter a seu favor um equilíbrio que também por lá é notório. Ainda que Pursuit Force seja agraciado esteticamente continua a faltar algo de arrasador no catálogo de jogos da PSP, aquele jogo capaz de obrigar os jogadores a comprar a consola, não porque seja mais um jogo e a maquina possibilita a leitura de vídeos e música, mas porque aquele jogo é mesmo muito bom e só na PSP é jogável.
Porém e para incrementar as vendas da PSP, a Sony continua a apostar no apoio da Capcom relativamente a Monster Hunter e Metal gear Acid 2 que deverá aprofundar devidamente o uso das cartas como cerne de jogo. Acrescente-se o Talkman, um tradutor a ser usado na PSP quando em viagem por países estrangeiros sempre possibilita uma experiência interessante bem como viagens mais divertidas.
Face a este conjunto de dados é possível firmar a conclusão que a DS não está a perder a batalha para a PSP como se chegara a vaticinar, antes pelo contrário, a DS parece estar a segmentar uma posição de líder graças ao apoio de muitas third partys ainda que os centros de produção internos estejam a conferir um apoio muito maior à DS do que aquele que os departamentos internos da Sony vão concedendo à sua portátil.
Além disso a DS continua a patentear uma lista de jogos originais em maior escala, principalmente no mercado nipónico, geralmente vendendo bem.
No outro pólo a PSP mantém a determinação em garantir o maior número possível de filmes adaptados ao formato UMD. Nesse aspecto o balanço tem sido positivo, com a entrada de novos filmes a cada mês. No plano das vendas de software o balanço não é tão animador quanto se esperava que pudesse ser. Por esta altura seria de esperar um domínio do mercado portátil, mas creio que isso só não acontece devido à falta de jogos originais. A PSP continua a deslumbrar no departamento dos gráficos tridimensionais, coisa que a DS não é capaz de cumprir cabalmente, mas sistematicamente apresenta o mesmo que qualquer jogador pode gozar numa PS2. Ainda que seja vantajoso ter uma experiência desse nível numa portátil, repete-se a sensação de dejá vú.
Espera-se por isso que nos próximos tempos a Sony dê renovada atenção aos sectores internos de produção e por outro lado, seja capaz de pressionar as principais third partys no sentido de capitalizarem todo o potencial da PSP, que é abundante, em jogos diversos dos desenvolvidos para a PS2.
Não sendo a Sony capaz de inverter esta tendência, a Nintendo bem que poderá festejar mais uma vitória no mercado das portáteis.