
Como já vem sendo hábito nesta crónica quinzenal, vai-se escrever hoje acerca da nova geração. O verão chegou, e com ele a oportunidade dos jogadores e jogadoras porem em dia o seu hobby, terminar todos aqueles jogos que se vêm acumulando nas prateleiras ao longo do tempo de aulas/trabalho. Porque já em Setembro chega a PSP, em Novembro a Xbox 360, e tanto a portátil da Sony como a primeira consola da nova geração vão exigir aos jogadores em bom investimento de tempo e dinheiro em jogos. E é sobre esse par inseparável que se vai escrever hoje.
O nosso poder de compra, como Portugueses, é uma nódoa comparado com o do resto da Europa. É um facto. Daí que todos nós que jogamos sintamos um calafrio quando grandes companhias como a Sony ou a Electronic Arts afirmam que com o crescendo dos custos de produção, é inevitável um aumentar dos preços dos jogos na próxima geração. O típico consumidor Português paga entre 60 e 65€ por um jogo novo, e mesmo a pequena parcela que se habituou a encomendar do Reino Unido através da internet paga entre 45 a 50€, consideravelmente melhor, mas ainda uma quantia elevada. Se a próxima geração trouxer um incremento na ordem dos 10€, os nossos bolsos vão sofrer muito, e o sucesso comercial dos jogos também.
Alguns produtores respeitados (e ninguém mais respeitado é neste meio do que Shigeru Miyamoto, “pai” do videojogo moderno) acreditam que a solução para baixar os custos será a de fazer jogos mais curtos. Os jogos assim seriam mais baratos de produzir, e, num cenário ideal, o consumidor compraria mais jogos mais baratos, pois acabá-los-ia mais depressa. Segundo Miyamoto, portanto, o tempo de jogo deve decrescer para que o preço também decresça.
A questão é, será que os jogos actuais não oferecem uma boa relação tempo/custo? Eu penso que sim. Assumamos à partida que estamos a falar de jogos de qualidade, capazes de divertir consistentemente ao longo de toda a sua duração. Um jogo custa-nos 50€ (eu sou dos tais que gosta de mandar vir do Reino Unido) e dá-nos, digamos, um mínimo de 8 horas do principio ao fim, e um máximo de 50 horas (RPGs, jogos que primem pelo multiplayer). Um filme, por outro lado, acabado de sair em DVD, custa 20€. Tendo um filme em média 2 horas, estamos a pagar o nosso divertimento a 10€ por hora. No caso dos jogos acima citados, na pior das hipóteses ( o jogo de 8 horas) estamos a pagar 6.25€ por hora. E a grande maioria dos jogos actuais encontra-se com uma duração de 10-12 horas.
Feitas estas contas, penso que é fácil de ver que os jogos não são assim tão caros, pelo menos não em comparação com a forma de entretenimento mais próxima, o filme. Também é mais provável que se recomece um jogo pouco depois de o acabar do que se reveja um filme, acrescentando ainda mais valor ao jogo. Claro que isto não invalida a ideia de Miyamoto: um jogo divertido e de alto nível gráfico e sonoro, que dure duas a três horas e custe 20€ é um perspectiva interessante e que vale a pena explorar.
É claro que para muitos de nós, independentemente dos jogos oferecerem ou não um bom custo por hora de divertimento, 60-50€ é muito dinheiro, e os acréscimos que se prevêem para a nova geração são assustadores. A solução é, possivelmente, aguardar, e estar atento a boas oportunidades. Os sites de jogos em segunda-mão são abundantes, e não é incomum ver jogos de topo a 40€ um ou dois meses após o lançamento. O mesmo se pode dizer dos sites de leilões, que requerem mais alguma atenção e trabalho para descobrir os bons negócios. A maioria dos fóruns e revistas de videojogos tem secções dedicadas a vendas em segunda-mão, e é provavelmente nestes sítios onde se encontram os melhores negócios. Finalmente, para aqueles que não se importam de aguardar, mais tarde ou mais cedo todos os jogos descem naturalmente de preço, seja por passarem às gamas de baixo preço de cada consola, seja por iniciativa das superfícies comerciais.
Concluindo, talvez o preço dos jogos seja mais justo do antes pensávamos. Quem compra em Portugal é nitidamente roubado, a menos que aproveite as soluções descritas acima, mas a nível Europeu, o preço parece justo. Resta saber, é claro, se os jogos da próxima geração nos conseguirão divertir mais e durar mais, justificando o aumento de preço que tem vindo a ser especulado. E isso, saberemos em Novembro.
-- Luis “Ash” Magalhães
“Remember: The only thing necessary for evil to triumph is for good men to do nothing.”
-- Alucard, Castlevania: Symphony of the Night