
Portugal enfrenta uma anestesiante recessão económica. A balança comercial regista um evidente predomínio das importações sobre os produtos transferidos para o estrangeiro, enquanto que a tecnologia nacional não tem condições para vingar no mercado global.
Por entre esta amálgama de juízos preocupantes, como se apresenta o mercado de videojogos no nosso país?
A situação não é negativa. Até pelo contrário. Desde a introdução das consolas da anterior geração que se verifica um sensível crescimento do mercado. As grandes superfícies aderiram à comercialização de produtos electrónicos, as lojas da especialidade acusaram um aumento na vendas de consolas e procederam ao alargamento da área destinada à exposição dos produtos lúdicos. Presentemente o saldo é positivo.Até os gestores de produtos, representantes das marcas no nosso país, afirmam amíude em entrevistas, uma proveitosa consolidação da marca através de bases de instalação satisfatórias.
E se 2004 é considerado como um dos melhores períodos para abraçar os videojogos, foi também o ano de uma série de eventos que faltavam ao debate e à reflexão, como o FUGA 2004, o GAMES 2004 e a Inércia.
Todavia, persistem situações desagradáveis e preocupantes. Por estes dias irrompi por uma pequena loja da especialidade, apenas com o intuito de observar as novidades e acabei por me deter na descarada tabelação de algumas obras de lançamento da consola GameCube com preços à volta das três dezenas e meia de euros. Para além deste notório escândalo os outros jogos, vulgarmente apelidados de "AAA" encontram-se tabelados ao preço máximo (e abusado) permitido neste país, isto é, os habituais 65 a 70 euros.
Face a certos abusos, passíveis de reclamação junto da Defesa do Consumidor, como é possível evitar o contributo para o prevalência dos produtos importados?
É consabido que o mercado nacional de videojogos ainda não alcançou a desejável massificação capaz de obrigar definitivamente as distribuidoras e retalhistas a rever a sua orientação de preços. Mas é preciso arriscar uma quebra nesta política. O consumidor nacional de videojogos não pode continuar a ser explorado nestes moldes. Distribuidores e retalhistas devem compreender que alguém utilizando acesso à rede, encontra-se numa situação privilegiada para encomendar do mercado britânico, ou outro, certas obras com preço de capa e despesas para envio numa soma praticada pouco acima da meia centena de euros. Aplicando o processo a jogos como Gran turismo 4, o comprador retém pelo menos 15 euros, um valor deveras significativo.
Mesmo que aceitemos o argumento da discrepância de preços dentro de um mercado europeu devido à exiguidade do nosso mercado em termos comparativos, torna-se ridículo e confrangedor aceitar que títulos mais antigos ou "best-sellers" sejam comercializados em certos estabelecimentos pelo valor máximo comummente aceite em Portugal.
Haja respeito e ética para com os consumidores de videojogos, é o que se pede a retalhistas e distribuidores.
Muito obrigado pelos vossos contibutos e opiniões que são sempre muito importantes e ajudam a alargar o debate, a discussão e a ter outros pontos de vista. :)
Verdade! É quase impossível alguém não ter o bichinho da importação. O mercado não é dos melhores, mas, como foi escrito no artigo, as lojinhas da especialidade nada fazem para explorar ao máximo o mercado. Depois queixam-se das grandes superficies. Claro! Eles praticam o preço de capa!
E mesmo assim, que tem acesso á rede e conhece minimamente os processos de compras online, claro que prefere adoptar por este meio de compras. Mesmo que poupe apenas um 6 ou 7 euros por encomenda/jogo, se em pouco tempo comprar outro, nesses dois jogos poupará 12 ou 14 euros. Se fizermos um arredondamento, dará cerca de 15 euros e com este dinheiro, já é possível comprar um jogo de certa qualidade nos lotes das promoções ou nos usados.
Sinceramente, são muitas as entidades culpadas neste caso. Top 3 culpados: empresa distribuidora, empresa promocional e vendedor pouco qualificado para vender o produto
Parabéns pelo artigo Vítor. É de facto um problema latente da realidade do sector, no entanto penso que os importers continuam a ser uma esmagadora minoria. Eu faço claramente parte dessa minoria... ;)
É realmente um abuso do consumidor os preços dos jogos praticados no nosso país . É incrível como em sites tipo Amazon.co.uk conseguimos arranjar jogos novidade 15 euros mais baratos que cá em Portugal. E muitas das vezes ainda é pior. Por exemplo OutRun 2 aqui no nosso país custa 65 euros, nesse mesmo site que referi está a 25 euros com portes e todas as despesas adicionais... Isto então é tipo um escandalo. É pena que a TVI em vez de fazer reportagens que desapreciam os jogos fizesse uma reportagem sobre esta roubalheira que fazem aos consumidores portugueses.